Análise: Aborigenus (Switch) traz uma proposta de Adventure RPG simples. Simples até demais…

Desenvolvido pela Flying Islands Team e lançado para o Switch no dia 10 de Janeiro, Aborigenus traz uma proposta de experiência que mistura elementos de um Adventure com pitadas de RPG. Após quase dois anos de seu lançamento oficial para PC (trata-se de um multiplataforma), tivemos a oportunidade de testar o game e trazer nossas impressões. Para nossa avaliação, utilizamos uma cópia do game cedida pela produtora Drageus Games S.A. para o Switch.

Eis aqui um dos grandes inimigos do game.

O enredo do game

A história do game se passa em um mundo onde ilhas voadoras existem em meio a um mar de nuvens. Cada ilha abriga determinadas tribos, que vivem em paz entre si, até que em um dado momento as tribos começam a guerrear. Os animais tornam-se mais agressivos, e um mal eterno acaba despertando. Em meio ao contexto de guerra, a tribo do personagem principal é atacada na calada da noite, e entre vários reféns sequestrados está a noiva do protagonista. O xamã da tribo conta que eles precisam dessas pessoas para realizar algo terrível, e o protagonista sente que precisa salvá-los. Os guerreiros que invadiram sua tribo foram embora ao amanhecer, e lá vamos nós logo em seguida atrás deles. Está dado o plot principal (e único) do game: salvar a noiva.

Lá está a noiva. Não se preocupe: em menos de uma hora vocês já estarão juntos.

O gameplay

Por se tratar essencialmente de um game Adventure em estilo plataforma, os comandos são simples. Você começa podendo pular e bater com sua lança nos adversários, adquirindo habilidades no decorrer do game, como um ataque à distância ou uma magia que pode derrubar determinada parte do cenário – uma muralha de pedras. O ataque à distância é realmente útil, uma vez que o personagem não consegue pular e usar a lança ao mesmo tempo (o que é esquisito, já que ele pode pular e arremessar um bumerangue ou uma machadinha, mas vai entender…) e vários inimigos são voadores. Sobre os inimigos, vale a pena eliminar todos os que aparecerem pelo caminho, já que eles geram XP para aprimorar habilidades.

Eis nossa árvore de habilidades, onde você pode desenvolver os atributos que preferir.

Em um dado momento, você aprende a usar magia e a árvore de habilidades libera as três interrogações acima, permitindo aprimorá-las. Infelizmente o game não apresenta inimigos o suficiente para que você consiga elevar todos os atributos ao máximo, fazendo com que o jogador tenha que refazer a campanha caso queira conhecer as outras habilidades não aprimoradas. Os inimigos do game não são muito variados, se tornando até fáceis de serem derrotados, uma vez entendida a mecânica de movimentação. Em relação ao desafio proposto pelo jogo, o game não é difícil. Resume-se basicamente em saltar entre plataformas e derrotar inimigos. Os inimigos difíceis precisam ser atingidos mais de uma vez, mas nada que faça o jogador suar. O game ainda oferece uma fase onde o protagonista corre montado em uma galinha, mas a fase não dura dois minutos.

XABLAU! Entregue uma flor à bruxa e torne-se um xamã. Mais rápido que fazer um miojo.

Veredito

Seguindo o título da análise, Aborigenus é um título simples até demais. Da trilha sonora à história, o que fica é uma sensação de que o jogo poderia ter recebido um pouco mais de atenção. Os gráficos 8-bit trazem um charme nostálgico, mas poderiam ser mais trabalhados, ter mais sprites de movimento. A trilha sonora consegue impor uma pegada tribal, mas a limitação de quatro fases apenas a impede de ser maior, passando inclusive uma pegada repetitiva. Os momentos do game que narram de forma escrita o desenrolar da história também poderiam ser mais profundos, dando ideias e escopo para mais fases, mais desenrolar da trama.

A batalha final.

Os elementos de RPG também deixam a desejar, se limitando à árvore de habilidades, que de forma resumida faz seu personagem aguentar mais dano e ficar mais forte. No frigir dos ovos, Aborigenus é um game que dura meia hora nas mãos de um jogador mais experiente, e que poderia sem dúvidas ter recebido um carinho maior do estúdio, de forma geral. Na Steam está atualmente em promoção, saindo à R$1,83 (um preço justo, considerando o que o game oferece). Na eshop americana do Switch, está saindo à U$4.99 (aproximadamente R$23,00). Se você é um feliz proprietário de um Nintendo Switch e ficou interessado pelo game, aconselho aguardar uma promoção, ou se divertir com outros títulos da mesma produtora, como Drawngeon: dungeons of ink and paper, cuja análise já foi feita por nós.

Análise feita com cópia cedida pela Drageus Games S.A.