Análise: Blackmoor 2 (Switch) – Não foi desta vez, mon amour

Ignorando minha piada cretina no título desta análise, estamos aqui (eu estou) para falar de Blackmoor 2: um jogo indie, simpático, com recursos bem interessantes – como o multiplayer -, mas que carece de criatividade, capricho e, sinceramente, diversão. O que pode dar errado num jogo, originalmente de plataformas mobile, que foi “portado” para os consoles, mas esqueceu que seu escopo não acompanha o ritmo das plataformas maiores?

Esmague os botões até o dedo sangrar

Infelizmente o jogo se prende muito ao “esmaga botões”. É o que você vai se pegar fazendo basicamente em todos os momentos, com um pouquinho de upgrade aqui e ali, mas essencialmente o jogo se propõe a isso. São hordas e mais hordas de inimigos para enfrentar, todos com um hitbox estranho. A estrutura das fases segue uma mesma base, que é derrotar números exagerados de inimigos e no fim chegar ao “chefão”. Caso você joguei cooperativo, o número de inimigos e até mesmo o de chefes é aumentado. É deveras divertido adquirir dinheiro ao longo das fases para aumentar seus atributos, porém a dura tarefa de enfrentar inimigos sem nexo e com um design ruim é visualmente desestimulante. Acho que já mencionei isso em um outro review, mas sabe aquele sentimento de que você está jogando algo quando, na verdade, queria estar jogando outra coisa? Blackmoor 2 passa esta sensação em todo o tempo, e são vários os fatores que alimentam isso.

História tá ali, mas não tá

Apesar do jogo ter uma história, é difícil comprar que isso existe em todo o tempo ali por conta de ser algo muito raso e irrelevante. Você basicamente se liga bem mais na jogabilidade do que em qualquer outra coisa, e o problema nisso é que a mesma não tem profundidade o suficiente pra prender a atenção do jogador sem o enjoar em poucos minutos. Ou seja, é mais uma desculpa para dizer que existe uma trama, mas na verdade o jogo quer mais é te mostrar sua forma de jogar. Porém, como o foco é esse, precisa ser mais diversificado e bem elaborado para fazer com que o ritmo não se perca.

Elementos falhos

Blackmoor 2 parece ter saído diretamente de sites como Newgrounds.com, mas sem a mesma qualidade já vista em jogos de aparência semelhante como o famoso Castle Crashers da Behemoth. A culpa disso fica por conta do design de personagens e inimigos serem extremamente genéricos e sem conexão com o momento ou a ambientação. Hora ou outra você estará enfrentado orcs, depois ninjas-ladrões ou algo do gênero, então surgirão bichos vermelhos e sem braços dotados de uma boca enorme, logo mais uma caveira com um sabre de luz dignos da franquia Star Wars e finalmente uma lagosta gigante. Qual a explicação “biológica” para estes monstros dentro do contexto? Que influência eles possuem na história? Por que a aparição deles num cenário específico?

É tudo simplesmente estranho, o que me deixou com a impressão de que o jogo foi feito a partir de uma série de assets/elementos prontos que juntos formaram Blackmoor 2. Mais estranho ainda são os cenários serem 3d e alguns elementos (comidas, por exemplo) também compartilharem deste estilo gráfico. Já os personagens e inimigos (a maioria) tem um visual 2d, o que causa incômodo ao se misturarem com o restante poligonal. Entende o que eu quero dizer? É uma falta de coesão muito grande por parte dos criadores, o que me passou a impressão de que alguns elementos estavam encaixados ali na cena de forma avulsa. As fases são bem criativas, mas isso se você ignorar completamente o fato de que as coisas não se misturam bem, como falei.

Também é importante falar que a possibilidade de comprar itens a qualquer momento do jogo é um tanto quanto “roubada”, o que eu preferia que tivesse sido feito de uma maneira mais regrada e contextual – numa lojinha física, literalmente falando.

Pontos interessantes

Uma das coisas que mais me chamou a atenção foi o fato de um jogo indie, de provavelmente um orçamento médio para baixo, ter um online tão competente – e para até 4 pessoas! Sério, e digo isso até mesmo porque o jogo faz uma conexão com o servidor dedicado. Durante minha jogatina multiplayer não tive um minuto sequer de lag ou input delay. Talvez isso seja influência da minha infraestrutura? Pode ser. Mas é notável o quanto Blackmoor 2 tem um modo online de qualidade.

Outro ponto bacana é a quantidade de personagens e classes disponiveís, o que faz a jogabilidade mudar de acordo com quem você resolver atuar. Inicialmente o jogo te disponibiliza 6 personagens, mas te dá a possibilidade de desbloquear mais 4 deles e suas skins com o próprio dinheiro do jogo.

O jogo também possui um modo chamado Pub Fighter, onde você compete em lutas de 1×1 online ou contra bots e utiliza um sistema que claramente é inspirado em Street Fighter.

Por último e não menos importante, a franquia dá de cara com Mario Maker no modo Dungeon Builder. Aqui você pode fazer masmorras personalizadas e compartilhar com jogadores no modo online, mas a criação é feita exclusivamente usando o modo portátil do Switch – é, não faz muito sentido.

Qual é a do jogo, afinal

Blackmoor 2 é para aqueles jogadores não tão exigentes e que estão procurando um indie no mínimo “ok”. Apesar de vários problemas (talvez pífios para alguns), o jogo consegue cumprir a proposta de divertir – mesmo que isso seja feito de forma básica – principalmente jogando com amigos. O maior pecado deste título mesmo é a falta de carisma de forma geral, pois o jogo não cativa e enjoa em poucas horas de gameplay. Pra finalizar, o preço não é nada convidativo, o qual até o momento deste texto constava como US$ 9,99. Para nós sairia por mais de R$ 40,00, então recomendo fortemente uma promoção bem generosa.