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Análise: Children of Morta (PC) – Um Roguelike acessível

Um estúdio renomado como a 11 bit (Frostpunk), uma desenvolvedora promissora como a Dead Mage e uma campanha de Kickstarter bem sucedida não poderia resultar em um simples Roguelike. Então, Children of Morta vai além disso.

Para aqueles que acompanham videogames, principalmente jogos indies, o termo Roguelike foi muito visto nos últimos anos. Jogos com fases geradas de forma procedural e com “morte permanente” começaram a aparecer em diversos títulos, por isso os Roguelikes precisaram se reinventar, como Crypt of the Necrodancer, Spelunk e The Binding of Isaac. Podemos dizer que Children of Morta também entra nessa lista.

Explorando o Roguelike

Com gráficos em Pixel Art e visão Top Down, Children of Morta começa como qualquer outro Roguelike. É feita uma introdução sobre a história da família Bergson, que precisa impedir a Corrupção que invade o reino. O combate também se parece com outros jogos: Ataque primário, Ataque especial com cooldown e Esquiva com barras de energia.

As coisas começam a mudar um pouco quando os membros da família Bergson nos são apresentados. É possível jogar com seis deles, cada um com suas características e árvore de habilidades próprias.

A grande surpresa do jogo acontece depois da sua primeira morte. Ao contrário das maiorias dos Roguelikes, em Children of Morta você não só volta para tentar de novo, mas a cada morte um pedaço da história é contada. Esse avanço na narrativa não depende do seu desempenho na Run anterior e pode só explicar curiosidades sobre o mundo ou facilitar as suas próximas tentativas, liberando novos personagens ou itens.

Ótima entrada no gênero

Essa forma de contar uma história não fica restrita só como uma novidade do jogo, mas também influencia no gameplay. A sensação de frustração por uma Run ruim é amenizada com o avanço da história. Também há atributos que podem ser melhorados em conjunto e de forma permanente, assim até o pouco dinheiro coletado em cada Run contribui para facilitar o seu jogo.

Children of Morta consegue interligar muito bem sua história e jogabilidade, o que diminui um pouco a repetição. Por exemplo: em determinado ponto da história, um membro da família fica doente e precisa ser curado, então um remédio estará escondido na sua próxima Run, funcionando como uma sidequest.

Alguns personagens são desbloqueados dessa forma, o que também facilita o seu caminho. Cada membro da família tem um estilo de combate diferente: Dano Alto e Velocidade Baixa; Dano Baixo e Velocidade Alta; Com ataques a distância ou corporais. Há personagens para todo tipo de jogador e personagens mais recomendados para áreas e inimigos específicos.

Sem contar a progressão suave, que vai além do aprendizado de cada Run, característica marcante de Roguelikes. Em Children of Morta, as melhorias que podem ser encontradas nos calabouços aumentam significativamente de uma tentativa para a outra. Fica claro que o objetivo do jogo não é te prender em determinada área.

Em muitos momentos, Children of Morta passa a sensação de ser um excelente Primeiro Roguelike para aqueles que não estão acostumados com o gênero.

Feito também para os experientes

O jogo também oferece desafios para os jogadores mais hardcores. Apesar de difícil, é possível completar uma área na primeira tentativa. Os vários personagens jogáveis e suas diferenças de combate também possibilitam mais horas de gameplay, caso o objetivo seja completar a história com todos. Além disso, se limitar a um personagem aumenta as dificuldades para se acostumar com a jogabilidade.

 

Vale salientar que Children of Morta consegue equilibrar a dificuldade dos inimigos, inclusive oferecendo áreas secretas com desafios mais complexos. O segredo do jogo está em como ele consegue ser atrativo para diferentes jogadores.

Children of Morta já está disponível para PC, Mac, Playstation 4 e Xbox One. O lançamento para Nintendo Switch está programado para 20 de novembro de 2019.

Análise produzida com cópia digital cedida pela 11 bit studios.