Indiespensáveis

Impensável não falar deles

Análise: Duped (Switch) – Minimalismo

O movimento artístico conhecido como Minimalismo é muito difundido hoje em dia. Na Publicidade, Design de eletrônicos, Músicas, Artes Plásticas e muitos outros elementos utilizam o método. Alguns jogos tentam se aventurar nessa arte, e Duped é um deles. Mas será que o jogo vai além da arte Minimalista?

De um vértice a outro

Sendo franco, Duped abraça a fórmula do minimalismo com força e não a solta em momento algum. Sua jogabilidade, sua história, trilha sonora e imagens, absolutamente tudo é mínimo. E vamos começar pela história.

Não há uma história. Nem uma desculpa para o jogo. Mas, pensando bem, não há uma razão para ter alguma coisa para contar. Tetris não possui história, nem moral, nem uma razão. Os primeiros jogos de Match-3 também não. Duped é como um jogo de fazer macarrão instantâneo, não é necessário uma motivação para fazê-lo além da vontade de fazer.

Então ele, com pouquíssimas palavras, é sobre um caminho que é seguido, um sonho, uma meta. E durante o trajeto existem vários encontros, que podem ajudar ou atrapalhar. É uma reflexão sobre o fato de não contar nada, dando abertura para várias interpretações. Suas poucas palavras bastam para se fazer um paralelo. Mas um paralelo com o que? Somente jogando é possível ter a experiência.

Agora, trazendo-o um pouco para mim. Costumo dizer que é possível fazer uma analogia de uma coisa com outra coisa completamente diferente, na maioria dos casos. Por exemplo: a letra de uma música sobre encontros e desencontros do amor verdadeiro, na verdade, diz sobre a dificuldade de aprender uma língua estrangeira estando em seu país de origem.

Duped não diz nada. Tudo que falei lá em cima é utilizando esse método de comparações e análises absurdas. Mas aqui fica a minha máxima: não há nenhum problema nisso! O jogo abraça o minimalismo para entregar uma experiência isolada para cada jogador. É tudo por uma vivência solo, de 1 hora e meia.

E um último fato importante: você joga com um quadrado. Talvez a única razão disso seja para evidenciar o Minimalismo

Jogabilidade

Unido à história, a jogabilidade é simples, sendo necessário somente chegar de um ponto a outro, em várias telas. Os quebra-cabeças não são tão simples, mas também não são difíceis. Para alguns basta habilidade no controle, outros apenas raciocínio. Acontece que todos os comandos vão para todos os quadrados da fase, gerando desafios interessantes, com pulos triplos e vários botões a serem apertados na fase.

Mas não passa disso, várias fases e telas em que o objetivo é simplesmente ir de um ponto a outro, sozinho, apenas consigo mesmo para refletir.

Arte

Aqui, o ponto mais óbvio, reina o minimalismo. A trilha sonora é composta apenas por leves e agradáveis toques no piano. Alguns momentos da música lembram algumas de The Legend of Zelda: Breath of the Wild, famoso pelo que? Pelo minimalismo na trilha sonora.

Não há muito o que falar da música, pois é só uma, tocando constantemente. O ponto positivo é que seu looping é bem longo, e o jogo acaba antes de começar a ficar chato.

As imagens do jogo são simples. Há somente um cenário com várias e várias fases. Não há tantos elementos de destaque, apenas um ou outro cogumelo, uma ou outra gema nas pedras. Como estou dizendo em todo esse texto: Minimalismo!

Veredito

Duped tem seus problemas. Um deles, por exemplo, é que toda vez que o quadrado pula, o controle vibra forte; mas é possível desativar, algo que fiz imediatamente. Outro problema é a alta probabilidade de se enjoar do jogo. E aí vem um ponto positivo: o game termina rapidamente, antes de se cansar com a jogabilidade e trilha sonora.

Caso você goste de jogos com foco na reflexão por meio do isolamento, acredito que Duped tem potencial para ser essa experiência contemplativa. Mas, passando disso, não é um jogo que todos devem comprar, apesar de seu baixo preço.

Se você já jogou, deixe sua experiência nos comentários!