Análise: Goblin Sword (Switch) – Plataforma? RPG? ou nenhum dos dois?

“Uma mistura de desafios de plataforma com leves elementos de RPG”, foi esse o trecho da descrição de Goblin Sword que mais me deixou interessado no game. Porém, é preciso entender o seu escopo: foi lançado para celular em 2014, com um time pequeno de desenvolvedores, e, agora em 2020, foi portado para Nintendo Switch pela Gelato Games, custando apenas U$ 4.99 na eShop americana. Ou seja, não dava para esperar um sucessor de Symphony of the Night, título que conseguiu executar com maestria essa junção entre plataforma e RPG.

Mas calma! Goblin Sword não tem a intenção de ser comparado com um dos maiores Castlevania que já existiu. Até porque, um elemento no jogo que fica mais evidente do que essa mistura é a sua superficialidade. Sim, Goblin Sword possui elementos de RPG e plataforma e eles se conectam, porém tudo feito de uma forma rasa. Será que a melhor escolha não seria fazer um jogo só de plataforma ou só RPG?

Uma escolha infeliz

Na tentativa de juntar esses dois elementos, Goblin Sword acaba fracassando em ambos. Os desafios de plataforma são bem pensados e o level design das fases não apresentam nenhum grande incômodo, porém tudo é muito igual, alterando apenas o tema dos mundos. Os inimigos também são bem rasos, com movimentos padronizados e que mudam de cor para representar uma dificuldade maior.

Aliás, a dificuldade em Goblin Sword é outra questão complicada. Provavelmente por ter sido pensado originalmente para celular, jogo traz desafios de plataforma bem fáceis, ainda que divertidos. Porém, seus simples elementos de RPG, como comprar uma espada poderosa que mata o inimigo rapidamente, deixa o jogo cada vez menos desafiador. Esses elementos, aliás, são realmente simples: é possível comprar espadas, armaduras e relíquias com as moedas que vocês consegue nas fases. E a parte RPG termina aí.

Goblin Sword parece tentar compensar essa simplicidades na quantidade de itens e fases no jogo – o que é mais erro. No total são 89 fases, 13 chefes, 30 armas, 30 relíquias, 14 armaduras, 8 guardiões e 5 fases secretas e difíceis. Porém, isso perde importância quando as fases são muito genéricas ou quando você não sente uma grande diferença de jogabilidade entre uma arma ou outra.

Nem mesmo na história, onde já esperamos algo simples na maioria dos jogos, Goblin Sword consegue fazer algo diferente e profundo. “Um exército de monstros liderados por um mago do mal invadiu a sua cidade. Mate quantos monstros puder, colete dinheiro, desvie de perigosas armadilhas e derrote chefes ameaçadores, antes de encarar a face do próprio mago do mal”. Toda essa simplicidade não fica só na premissa, mas sim durante todo o jogo, sem uma narrativa que evolui conforme você vai passando as fases. Na minha jornada, inclusive, o jogo terminou sem que eu soubesse que aquela era a última fase.

O mapa dos mundos é um pouco confuso

Não é de todo ruim

Mesmo com todos esses problemas, gastei algumas horas me divertindo em Goblin Sword. Então, como um jogo tão genérico ainda consegue entreter? Por que eu voltava toda hora para aquelas fases iguais e perdia tanto tempo em algo tão simples? 

A superficialidade nem sempre precisa ser vista como algo ruim. Goblin Sword se complica um pouco nessa simplicidade, como ter um personagem que não agacha ou não permitir que você aumente o seu HP, mas o jogo consegue aproveitar o que há de bom em ser superficial.

As fases são curtas, o que combina muito com aquela jogatina rápida no Switch em modo portátil; Caso morra, você volta para o início da fase, o que faz com que você aprenda todo aquele padrão de level design e supere os desafios cada vez mais rápido e com mais estilo; Devido a quantidade de colecionáveis, o jogo rende muitas horas para aqueles que buscam o 100%.

Goblin Sword também acerta em um aspecto crucial para jogos de plataforma: a jogabilidade. Tudo é muito preciso e confortável, em nenhum momento você se sente prejudicado pelo game. A jogabilidade é um dos maiores motivos para o jogo te prender mesmo em fases repetitivas e inimigos tão iguais. Além disso, o visual em Pixel Art também é impecável, tanto na tela do Switch quanto na TV.

A impressão que fica é que Goblin Sword poderia ser um excelente jogo em plataforma 2D e com visual em Pixel Art, caso os esforços fossem direcionados para a criação de fases mais diferentes ao invés de encher o game com elementos genéricos. Porém, ainda assim, o jogo é capaz de render algumas justas horas de diversão para aqueles que buscam algo rápido, simples e barato.