Análise: Little Briar Rose (Switch) – Um vitral de simplicidade

Não é raro vermos jogos que utilizam elementos de Artes Plásticas. Okami é um exemplo, com sua fantástica Pintura Japonesa. Outros jogos abusam de elementos mais simples, como desenhos feitos a mão, como Cup Head, baseado nos desenhos infantis da década de 30.

Uma arte que talvez nunca tenha sido usada até então são os Vitrais, que enchem muitas catedrais ao redor do mundo. Até que chegou Little Briar Rose, baseado no conto da Bela Adormecida, enchendo os olhos com uma magnífica arte de vitral. Mas, além disso, será que é um jogo bom?

História além da Disney

Acredito que muitos conhecem a história da Bela Adormecida, eternizada pelo clássico filme da Disney. Particularmente, foi uma das fitas que mais assisti na infância, junto a Aladdin e Rei Leão. O jogo é curto, mas acompanha o conto.

Depois que a maldição de Aurora é completada, as redondezas do castelo são amaldiçoadas com uma terrível e enorme floresta de espinhos. Para salvar o reino e acordar a princesa, basta um beijo de amor verdadeiro. E é nesse ponto que Little Briar Rose começa, logo na frente do espinheiro.

O jogador controla um príncipe e deve atravessar o espinheiro amaldiçoado. Acontece que, para atravessar, ele precisa da ajuda de algumas criaturas mágicas que, a princípio, não estão dispostas a ajudá-lo. Então, uma fada indica e auxilia o caminho do príncipe, para convencer cada uma das raças a ajudá-l0.

Uma jogabilidade simples, para uma história simples

Basicamente, Little Briar Rose é um point-and-click. Pra quem não sabe, jogos desse gênero possuem um foco maior na história, diálogos e resolução de quebra-cabeças. Controlando um príncipe novo cada vez que alguma coisa dá errado, você deve conversar com as criaturas mágicas, que são os moradores das vilas que estão no espinheiro. Ao conversar com eles, são apresentados alguns problemas e o jogador deve resolvê-los para que um novo caminho seja aberto, até finalmente o castelo estar disponível.

Os quebra-cabeças são simples, mas é necessário muita atenção nos diálogos e descrição de atividades para que sejam resolvidos. Como se trata de um conto antigo, os personagens utilizam um inglês mais rebuscado para conversar, então foi necessário utilizar o tradutor algumas vezes, mas nada que prejudicou a jogabilidade. Os desafios são variados: fazer uma sopa conforme algumas falas, agir como arquiteto, ajudar uma personagem a se vestir, e por aí vai. Todos são bem explicados e, a qualquer dificuldade, você pode solicitar ajuda da fada; com um custo, claro, resolver um pequeno quebra-cabeça.

A arte de vitral

A maior ênfase de Little Briar Rose vai para sua arte, Vitrais. Logo na entrada do jogo, a história é apresentada utilizando a arte, e depois uma bela janela é mostrada, conforme a imagem abaixo.

Todo o desenvolvimento da história da a impressão de que um conto está sendo feito, e não há estranheza nenhuma por causa da arte diferenciada. O que mais incomoda, apesar de tudo, é o fato do jogo ser muito colorido, mas logo a sensação passa.

O trabalho de áudio é muito, muito simples, pouquíssimos sons que não sejam a trilha sonora. Mas é nela que há um grande destaque dos sons. As músicas remetem muito bem aos ambientes em que o príncipe está. Seja perto de água, entre os gnomos, entre os espinhos, cada cenário possui uma trilha que encaixa muito bem. E todas com uma temática de conto de fadas, fechando com chave de ouro.

Entretanto, como o jogador tem que passar muito tempo em um cenário só, o looping das músicas acaba desagradando um pouco, pois começa a se tornar repetitivo demais. Por causa disso, no fim, a trilha sonora se torna somente mais uma entre muitas outras.

Vale a pena?

Little Briar Rose é sobre simplicidade. História, arte, músicas e jogabilidades, todos os seus elementos abusam da simplicidade. Muitos jogos erram em não ser simples, e é nisso que ele acerta. É um bom jogo para descansar um pouco a mente sem cansar o bolso, pois seu preço é cerca de R$ 25,00.

Recomendo para quem gosta de jogos que possuem foco na história, point-and-click, ou para quem está em busca de uma nova experiência.

Análise produzida com cópia digital cedida pela Elf Games