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Análise: My Friend Pedro (Switch) e a linha tênue entre o êxtase e a morosidade

Tiros, sangue, morte, um amigo banana (literalmente a fruta) e malabarismos com uma pistola. Coloque isso no liquidificador na velocidade mais lenta possível e você terá My Friend Pedro. Será que essa mistura maluca da DeadTost funciona? Veremos a seguir!

História

Como todo bom jogo com o selo Devolver, My Friend Pedro procura contar a sua história do jeito mais louco possível. Você está na pele de um assassino que perdeu sua memória e ganhou habilidades ao colocar uma máscara. Sua única referência é Pedro, uma banana que conta que seu objetivo é acabar com algumas pessoas.

Com uma estrutura de fases e “mundos”, a narrativa é desenvolvida através dos importantes inimigos de cada um desses mundos, alguns até como chefões para serem derrotados. O clássico modelo de ir matando os inimigos e subindo na hierarquia, até chegar no verdadeiro personagem por trás da trama.

É claro que tudo isso é enriquecido com as falas e referências engraçadíssimas de Pedro. O que deixa a desejar são os NPCs e o próprio personagem controlável, que não têm a mesma personalidade do Sr. Banana.

Por ser um jogo que não foca muito na história, My Friend Pedro até que entrega uma experiência agradável nessa parte.

 

Jogabilidade

Não é só na história que My Friend Pedro tenta ser original. A sua característica marcante está na jogatina por tentar fazer algo um pouco diferente do convencional. Porém, essa escolha pode tornar a jogabilidade de My Friend Pedro, ao mesmo tempo, o seu maior triunfo e a sua maior ruína.

Antes, é bom explicar como o jogo funciona: é possível andar com um analógico (esquerdo) e mirar com o outro (direito). Quem não tem muita vivência em usar os dois analógicos pode demorar um pouco para se habituar com esses controles, mas há opções de calibragem e assistência de mira que podem ajudar.

Também há botões para atirar (ZR e ZL), pular (B), esquivar (L) e chutar (X). Ao pressionar o analógico esquerdo, uma habilidade que desacelera o tempo é ativada. É mais usada para momentos onde há muitos inimigos ou quando o objetivo é fazer um vídeo estiloso de matança.

Em jogos com a premissa em que um “herói” e suas pistolas enfrentam todos os inimigos, é de se esperar uma jogabilidade frenética e rápida. É aqui que entra a peculiaridade de My Friend Pedro, que opta por um personagem lento (sem habilidades de Dash) e uma ação onde é preciso usar o cenário para derrotar os inimigos de uma forma “satisfatória”.

O termo “satisfatório” é perfeito para explicar a jogabilidade de My Friend Pedro. O jogador escolher uma ação mais cadenciada não o impede de completar uma fase, ou seja, é possível só sair andando, se esconder e matar os inimigos de um jeito mais tradicional. Porém, isso o afasta do principal objetivo do jogo, que é te fazer se sentir na pele de um “assassino habilidoso em busca de vingança”.

É bom lembrar que essa sensação de estar “jogando errado” pode diferenciar de jogador para jogador. Após se acostumar com o controle do personagem, é possível realizar diversas manobras estilosas contra os inimigos.

Um aspecto que traz mais opções para a jogabilidade são os itens espalhados pelo cenário, inclusive o Skate que deixa o personagem mais rápido. Também é possível chutar explosivos para cima dos inimigos, usar barris para esmagá-los e até ricochetear balas em placas de metal para acertá-los.

As diferentes armas também alteram um pouco o ritmo da jogatina. Usar uma shotgun te dá a liberdade de só passar e atirar rapidamente nos inimigos. Enquanto uma metralhadora invoca o Rambo que há dentro de nós, descarregando todas as balas loucamente pela tela.

Dominando a jogabilidade, familiarizado-se com os controles e sabendo usar bem o cenário, a experiência em My Friend Pedro é mais do que satisfatória. O grande problema é a demora para isso acontecer. Na minha experiência, foi preciso mais de 10 fases para me sentir o Jonh Wick no jogo.

Lembrando que uma das características de My Friend Pedro é incentivar o jogador a revisitar essas fases buscando melhorar o seu rank de pontuação. Então, o aprendizado e a busca pela melhora fazem parte da experiência.

O jogo também usa do bom humor na hora de classificar o seu desempenho

Direção de Arte e Desempenho

Algo que é preciso destacar em My Friend Pedro: o jogo está rodando de forma impecável no Switch. Sem queda de frames, bons gráficos na TV e no modo portátil e o carregamento entre as fases ocorrendo dentro de um tempo que não atrapalha a jogatina.

Lembrando que esses testes foram feitos antes do lançamento oficial do jogo, ou seja, o jogo já chega sem nenhum problema de desempenho que necessite de uma atualização – caso raro atualmente.

Quanto a Direção de Arte, o jogo acaba decepcionando. São cenários genéricos e trilhas esquecíveis. Os mundos em que a experiência visual e sonora é um pouco diferente foram os que mais me divertiram.

O design dos personagens também não chama a atenção, apesar de diferenciar visualmente os inimigos conforme o seu estilo.

Mesmo com gráficos simples, os vídeos insanos de jogabilidade matando os inimigos são muito bonitos e agradáveis de ver, principalmente usando a habilidade de retardar o tempo.

Veredito

My Friend Pedro não é um jogo para todo mundo. Algumas características, como ser um shooter 2D com mira no analógico e utilizar de uma estrutura de mundos para evolução da história, já dão uma ideia do público que possa se interessar pelo jogo.

Para alguém que não tem esse estilo de jogo como o preferido (esse que vos fala), My Friend Pedro é um excelente passatempo, principalmente ao rejogar as fases tentando terminá-las da maneira mais estilosa possível. Porém, deve se levar em consideração o custo desse passatempo.

My Friend Pedro chega à eShop por salgados U$ 20 (um pouco mais de R$ 77), preço um pouco acima da média para um Indie. Até o momento dessa publicação, o jogo não estava disponível na eShop brasileira.

A história pode ser finalizada em cerca de 5 horas, mas o jogo conta com um replay extenso para aqueles que buscam superar as pontuações do ranking global.

O grande elogio para My Friend Pedro é a busca por inovar em um estilo tão batido. As mecânicas podem até não serem perfeitas, mas a todo instante fica evidenciada a marca autoral da desenvolvedora. Essa experiência pode ser muito positiva, mesmo que em alguns momentos o jogo não te deixe 100% confortável.


Texto publicado originalmente no site Nintendo Lovers.