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Análise: Northgard (Switch) – Um novo sabor de RTS

É fato que o gênero RTS clássico anda em baixa, mas Northgard vem com uma proposta diferente, mecânicas totalmente novas e conseguiu dar um ar de novidade para o gênero que já andava um pouco adormecido, principalmente quando falamos de single player. O jogo teve acesso antecipado longo, e durante esse tempo passou por diversas melhorias com o feedback da comunidade. Agora, vamos ao que interessa: a análise!

Nórdico e tático

Ao começar a jogar Northgard, temos acesso a uma pequena área já com alguns habitantes, o jogo te conduz bem nos primeiros minutos, apesar de eu achar os textos/diálogos demasiadamente longos (e em letras pequenas), é fácil perceber como funciona o jogo, nenhum momento me senti perdido no que deveria fazer. Os habitantes básicos são gerados de forma automática, desde que a população esteja contente e tenham casas suficientes. Estes habitantes podem construir e reparar casas, e ainda procuram comida, caso não recebam ordens contrárias. Pode-se definir vários papéis para cada habitante, como transformá-los em pescadores, guerreiros, e agricultores, por exemplo.

No primeiro level do jogo, temos que construir uma base e tornar essa base sustentável, pra isso você vai precisar construir um acampamento de patrulhadores (para poder explorar o mapa), e uma estação de corte de árvores (para gerar madeira). Conforme o jogo avança, as necessidades vão aumentando e se tornando mais complexas, exigindo mais do que simplesmente coletar recursos.

Você vai ter que gerenciar a economia, que é extremamente importante para manter os habitantes felizes. É também necessário manter seus habitantes saudáveis (vai precisar de curandeiros para isso), e eventualmente irá ter que começar a melhorar as suas casas. Para uma economia forte será necessário também mercadores, e eventualmente, expandir. Ou seja, a partir de certo ponto irá ter que começar a tomar conta de uma série de fatores simultaneamente.

Em Northgard você irá ter que encontrar um equilíbrio para os recursos, entre melhorar a cidade, expandir o império, reforçar a economia, e ainda assim manter madeira e comida suficientes para sobreviverem ao inverno. Diferente de muitos jogos de estratégia tradicionais, Northgard tem muitos processos automáticos. Por exemplo, depois de criar uma barraca de pescadores, e atribuir alguns habitantes, não irá ter mais que se preocupar com isso.

Gerir esses micro-detalhes é algo que acontece pouco, mas isso não significa pouca coisa para fazer. Existem muitos outros pontos que vão exigir a sua atenção, eventos que acontecem fora do seu controle, e ao contrário dos jogos comuns, simplesmente construir um exército gigante para dominar o resto do mapa pode não ser a unica coisa que irá precisar para ganhar.

Um novo horizonte ao gênero

É uma abordagem muito diferente do estilo RTS, com um ritmo diferente do habitual. Considero uma boa opção para quem gosta de jogos de estratégia, mas não gosta daquele ritmo acelerado que costumam ter. É um jogo onde você pode focar mais tempo nas construções, gerenciar sua vila, do que focar em construir um exército rápido apenas para destruir o inimigo. Um detalhe que me agradou muito, é o fato de que após derrotar seu inimigo, você pode continuar a cuidar e a continuar crescer sua vila normalmente.

A cadência do jogo não é tão acelerada como costumamos ver em RTS, mesmo assim uma partida do jogo pode ser rápida, pois o ele não nos obrigada a destruir totalmente o adversário para acabar a partida. Por conta dessa cadência mais lenta, em alguns momentos o jogo exige certa paciência, principalmente durante o inverno, quando se torna mais difícil conseguir recursos.

Em relação a campanha, alguns pontos fracos são o fato de que as missões em geral não são muito interessantes e tampouco desafiadoras, porém a campanha é um ótimo tutorial para apresentar as mecânicas do jogo. O cenário, musicas, animações, personagens tem uma sinergia perfeita, a ambientação do jogo é um de seus pontos fortes. Um estilo cartoon muito bem trabalhado inspirado na mitologia nórdica, que não faz nenhum momento você desejar gráficos melhores.

O jogo se comportou bem no Switch, único ponto que não me pareceu bem adaptado foram os menus e textos. Relativamente pequenos (independente se estamos jogando no modo portátil ou não), fica nítido que nesse sentido foi pensado apenas para funcionar bem em computadores/monitores, faltou um cuidado maior com essa parte.

O estilo gráfico atraí quem jogava Warcraft III, mas apesar da semelhança no estilo gráfico, a mecânica e dinâmica do jogo é totalmente diferente, nesse ponto traz uma experiência e desafios únicos, que você só vai encontrar em Northgard, é uma ótima combinação de RTS com mitologia nórdica, se tem interesse em um desses dois, com certeza vale a pena conferir por você mesmo o jogo.

Análise produzida com cópia digital cedida pela Shiro Games.