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Análise: One Person Story (Switch) – Um ensaio sobre o amadurecimento

Puzzle é um gênero que tem ganhado cada vez mais jogos. Devido a sua simplicidade em jogar, podendo ser adaptado para a história que o desenvolvedor preferir, são muitas as empresas independentes que apostam nisso. One Person Story é um desses jogos, prometendo uma jogabilidade relaxante. Vamos ver se ele cumpre com isso.

História mesclada com a jogabilidade

O Minimalismo é talvez um dos movimentos artísticos mais utilizados atualmente. São várias as empresas dos mais diferentes ramos que apostam nele, e é comum as pessoas se agradarem. Devido a sua grande popularidade, a Arte em si começa a perder um pouco do sentido que teve em suas origens e, da mesma forma, pode-se questionar se a produção em excesso do minimalismo é, de certa forma, uma preguiça que os desenvolvedores possuem, por causa da suposta simplicidade em fazê-lo. Entretanto, uma discussão mais profunda sobre isso é para outra hora.

O fato é que One Person Story é uma das recentes obras que se utilizam do Minimalismo, e faz isso de uma forma muito mais conceitual e com um propósito maior que outros jogos. Sua história, se é que pode ser chamada assim, é unicamente sobre o amadurecimento e crescimento, e está intimamente ligada com a jogabilidade. Na verdade, está mais para um Ensaio sobre o processo de amadurecimento na vida, sendo contado de uma forma geral. Não existe um personagem principal, um roteiro, um objetivo final. São apenas palavras que ficam em cada tela, relacionando um passo do processo com um elemento de jogabilidade.

A jogabilidade, por sua vez, ocorre em 100 telas diferentes, cada uma com um objetivo e algo sendo contado. Para passar, é só fazer com que o círculo chegue no ponto final, sempre em cima. Existem obstáculos que atrapalham, e o jogador controla algumas coisas, somente com um botão, como o abrir e fechar das portas, aparecimento de alguns espinhos, serra circular e até a gravidade. O que acontece quando se aperta o botão varia conforme cada elemento, em cada fase e situação, mas basicamente é o Ativar e Desativar desses elementos.

A parte da narração ocorre juntamente com a jogabilidade. Quando a narradora fala algo como “Às vezes é necessário se machucar para seguir em frente…”, nesse momento, é necessário morrer algumas vezes para o caminho ser aberto e ir para a próxima tela. Ou seja, a narrativa está ligada à jogabilidade, sendo que cada novo acontecimento que afeta o jogo é algo falado anteriormente.

Acontece que, por ser um jogo de quebra-cabeça, os desafios são muito fáceis, requerem apenas paciência e várias tentativa. O fato de ser um jogo relacionado com o processo de amadurecimento torna-o lúdico, mas a vida não funciona somente na tentativa-e-erro, sem haver o preço das consequências. Não há sacrifícios na jornada, sendo apenas a romantização desse processo.

Entretanto, uma das premissas é ser um jogo relaxante, com o objetivo de jogatinas curtas e centradas. Isso o jogo promete e cumpre, mas ele é péssimo para uma reflexão mais profunda como um todo.

Trilha Sonora e Visual

O visual de One Person Story é o mais simples possível. É composto por apenas algumas linhas coloridas em um fundo roxo escuro, e claramente distinguíveis. Não há muito o que falar sobre isso, pois beira a simploriedade. Entretanto, apesar disso, o visual é bem competente, com o intuito de não forçar a vista nem ter um excesso de elementos.

A trilha sonora é interessante, uma música constante de piano, de fato muito relaxante. Acontece que, chegando a um determinado momento, a música passa a ser inexistente na cabeça do jogador, pois não é nada marcante. Provavelmente foi elaborada com a mentalidade de jogadas rápidas, de no máximo 5 minutos de gameplay, pois assim nada no jogo fica repetitivo e cansativo.

Veredito

One Person Story é um jogo para relaxar. Os desafios são simples, nada frustrantes e não é um processo de tentativa-erro-aprendizado, pois não há o que aprender, é somente tentativa e erro. Ele pode ser finalizado em mais ou menos 1 hora e meia, mas recomendo para jogatinas rápidas, de 5 minutos, como disse anteriormente. Seu preço está por volta de US$ 3,00, mas é comum aparecerem algumas promoções.

No que se refere a One Person Story como um todo, somado ao seu baixo valor, é uma opção muito interessante e viável, e recomendo-o para quem tem pouco tempo para jogar e quem gosta de jogos relaxantes com quebra-cabeça.

Análise produzida com cópia digital cedida pela Drageus Games