Análise: Super Crush KO (Switch): porradaria nada inovadora, mas fofa e divertida

A premissa de um jogo é um dos elementos mais importante para atrair a atenção inicial do público. Uma boa premissa pode despertar interesse imediato do mesmo jeito que uma premissa ruim pode afastar jogadores, por mais que outros aspectos sejam muito bons. Podemos dizer que Super Crush KO, da canadense Vertex Pop, traz uma premissa no mínimo curiosa para um beat’em up misturado com run and gun e plataforma.

Sequestro felino? Luisa Mell, corre aqui!

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Até onde você iria pelo seu bichinho de estimação? Para Karen, nossa protagonista, nem uma horda de robôs vai impedi-la de resgatar seu gatinho Chubbz das mãos de Ann, uma jovem extraterrestre problemática. E assim se inicia uma aventura frenética pelas ruas e prédios de uma cidade colorida em um futuro não muito distante.

Toda a trajetória é marcada por alfinetadas e tiradas divertidas de se acompanhar entre Karen e Ann, em um duelo pela “custódia” de Chubbz. Ao longo da jornada, vamos percebendo a motivação da vilã para cometer o sequestro, que leva a um final bacana e inesperado. Apesar de não ser uma história muito profunda, as interações entre as personagens principais casam muito bem com o clima cômico e bonitinho do jogo.

Fórmula manjada e sem riscos, mas bem-sucedida

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A estrutura de progressão de Super Crush KO segue um padrão conhecido: um determinado de número de áreas, compostas por um conjunto de fases e seguidas de um inimigo gigante como chefe, que é sempre um poderoso e gigantesco robô mandado por Ann.

Nas primeiras fases, adquirimos e aprendemos a usar habilidades obtidas de guloseimas muito especiais, com direito a um laser gigante. Contamos também com uma arma espacial deixada por Ann durante a fuga. Cabe a nós aprender a mesclar o combate físico com os ataques à distância e mecânicas como a esquiva e o superaquecimento da arma.

Os combos em Super Crush KO são muito satisfatórios e nem um pouco complicados de se realizar. Essa facilidade está totalmente de acordo com a proposta do game, já que manter a sequência de golpes fluindo sem deixar a barra de desempenho cair e não ser atingido durante os segmentos de cada fase são alguns dos principais desafios propostos. Misturar socos em terra, ataques aéreos e disparos à distância com a arma nos dá uma ampla variedade de possibilidades para surrar os inimigos.

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Falando nos inimigos, temos um misto agridoce entre boa quantidade de diferentes robôs e um design de personagem quase idêntico. Isso se traduz em um bom número de criaturas com habilidades distintas, mas com o mesmo padrão artístico. O saldo final é positivo, já que a jogabilidade tem um peso bem maior no aproveitamento do game.

Temos máquinas de diversos tamanhos e poderes para arrebentar e que, assim como Karen, usam ataques físicos ou de longa distância. Dependendo da combinação de inimigos presentes em um determinado trecho, precisamos pensar em estratégias específicas para enfrentá-los. Entra nesse planejamento a mecânica de ataque dos robôs em Super Crush KO, que curiosamente funciona igual a um semáforo: inicialmente com a face neutra, eles vão ao amarelo para anunciar que estão preparando um ataque, e quando o fazem, ficam vermelhos.

Um resgate de dois gumes

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Paradoxalmente, Super Crush KO peca pelo mesmo motivo que triunfa: simplicidade. Se por um lado conseguimos fazer combos criativos e duradouros sem problemas, esbarramos em fases e sequências de inimigos previsivelmente repetitivas.

Não demoramos a ver os mesmos tipos de robôs e mecânicas nos estágios, um problema que piora considerando a pequena quantidade de fases do jogo. Essa falta de um conteúdo mais robusto tem como inevitável consequência um fator replay praticamente inexistente além de repetir as fases para obter o melhor desempenho possível.

Por outro lado, o visual colorido e encantador do cenário e dos personagens é um festival de fofura, com cutscenes em um formato de história em quadrinhos e um traço agradabilíssimo que nos incentiva a continuar a história até o final, cuja lição de moral é um excelente desfecho. O esquema de cores rosa, azul e roxo contribui com a atmosfera geral do universo de Karen, uma jovem que adora coisas fofas e só queria ficar de boa com seu gatinho, mas que não aceita desaforo de ninguém!

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Apesar de não revolucionar o gênero dos beat’em ups, os famosos “briga de rua”, Super Crush KO tem uma identidade própria boa o suficiente para justificar sua existência e apresentar uma experiência de qualidade. Não é um título que vai nos render dezenas de horas de jogatina, mas é válido como uma diversão rápida e descompromissada.

Análise feita com cópia digital cedida pela Vertex Pop