Análise: THOTH (Switch) aplica com sucesso a frase “menos é mais”

Thoth (estilizado THOTH no seu título) é a segunda produção independente de Jeppe Carlsen, desenvolvedor indie responsável também pelo platformer 140. Carlsen já trabalhou como designer na Playdead Games, encabeçando a criação de gameplay de títulos como Limbo e Inside. Com esse currículo, não é nenhuma surpresa que Thoth seja um shooter indie minimalista muito bem planejado.

Geometria agressiva

Thoth não nos recebe com uma introdução que conta uma história, tampouco nos apresenta personagens, motivações, lugares, contextos nem nada do tipo. Seu menu consiste de uma única tela, na qual escolhemos a quantidade de jogadores (um ou dois) e as fases, representadas por números em uma disposição que já deixa evidente a estética do jogo.

Thoth Indiespensáveis 1

Na verdade, a tela inicial é tão simplificada que não fica claro, de imediato, o que a estranha sequência de números significa. Porém, como não temos outra opção além de ir direto para a ação, logo fica fácil compreender como funciona o sistema de progressão das fases, que segue uma contagem regressiva.

Assumimos o controle de um pequeno círculo que precisa fazer nada mais, nada menos que eliminar os inimigos presentes, representados por outros círculos e quadrados de diferentes tamanhos, em um limitado espaço retangular. Ocasionalmente, novos tipos de desafios vão surgindo, na forma de novas habilidades usadas pelas formas geométricas adversárias e de obstáculos presentes nas fases.

A cada quatro números, temos as fases com checkpoints, representadas no menu. Ao sermos derrotados nesses pontos seguros, repetimos o estágio normalmente. Nas demais fases, ao perder uma vida, temos uma nova tentativa com o acréscimo das paredes como zonas de perigo. No caso de uma nova morte, recomeçamos do último checkpoint alcançado. A última coluna de números representa um modo de sobrevivência, no qual temos que passar pela quantidade de fases mostrada sem pontos de salvamento.

É simples, mas não é

Thoth Indiespensáveis 2

Apesar de cada detalhe estrutural em Thoth, dos pequenos aos mais importantes, gritar simplicidade e minimalismo, sua dificuldade na prática passa longe desses adjetivos. Atenção, agilidade, destreza, coordenação motora e foco são características que precisamos dominar muito bem para sobreviver e seguir adiante.

Os desafios-padrão de um shooter estão muito bem inseridos: atirar nos inimigos enquanto evitamos ser atingidos por eles e pelos perigos de cada fase. Enquanto atiramos, nosso círculo fica mais lento, sendo portanto mais facilmente alcançável. Logo, se torna relevante entender a hora de atirar e a hora de fugir. Todo elemento presente nos estágios, como barreiras mortais e campos de força expansivos, divide nosso olhar preocupado em destruir os alvos e não morrer ao mesmo tempo.

O diferencial em Thoth fica por conta do sistema de vida das hostis formas geométricas: inicialmente preenchidas por uma cor, à medida que acertamos os tiros, elas vão perdendo a cor até adquirir um padrão preto estrelado. Entretanto, isso não faz com que os inimigos desapareçam.

Ao serem 100% cobertos por esse padrão que lembra o céu à noite, eles passam a funcionar de forma diferente, geralmente adotando um comportamento mais agressivo ou adquirindo novas habilidades. Outro detalhe importante é que se interrompermos o fluxo de tiros em um inimigo antes que sua cor suma completamente, ela começa a se regenerar.

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A exceção a essa complexidade na jogabilidade são os comandos, que envolvem apenas se movimentar e atirar. Com dois Joy-Cons, a alavanca e botões esquerdos servem para movimentação, enquanto a alavanca direita faz disparos manualmente e os botões fazem mira automática. Já quando usamos apenas um Joy-Con, temos apenas a opção dos tiros teleguiados.

Uma experiência redondinha

O baixo número de fases rápidas não impede que Thoth seja muito bem aproveitado e empolgante. Afinal, a dificuldade apresentada, principalmente no modo de sobrevivência, garante um tempo incrivelmente satisfatório de jogo entre conteúdo único e o fator replay.

Um aspecto que me surpreendeu positivamente ao contribuir com a dificuldade do jogo é a trilha sonora, propositalmente desconfortável e levemente perturbadora, com a função específica de dar ao jogador uma sensação de claustrofobia e desconforto. Em vários momentos, eu senti os inimigos fechando o cerco sobre a minha pobre bolinha, e o apertado espaço de jogo em cada fase certamente reforçou essa impressão causada pelo obstáculo auditivo que é a música de Thoth, fazendo deste um título curto, porém completo.

 

Análise feita com cópia digital cedida pela Carlsen Games