Indiespensáveis

Impensável não falar deles

Análise: Timespinner (Xbox One)

Castlevania Symphony of the Night só possui um defeito: ele acaba. Entretanto, e se houvesse uma maneira de prolongar as sensações que este maravilhoso clássico proporciona, de uma maneira muito parecida, mas diferente? Assim surgiu Timespinner!

História

A Cronorroca, um artefato capaz de controlar o tempo, é protegido pelo clã da protagonista, Luna. Por ser dotada de uma magia chamada Aura, ela foi escolhida para ser Timespinner, uma Mensageira do Tempo.

Sempre que dava alguma coisa errada, o Timespinner voltava no tempo para avisar o que irá acontecer, a fim de continuar protegendo a Cronorroca. O preço era alto, pois ele estaria apagando toda a existência do momento em que estava. E isso acontece com Luna.

Assim segue o rumo da história, com idas e vindas em períodos diferentes, havendo consequências de ações exercidas no passado. Falar mais do que isso estragaria a experiência e cada descoberta é um novo complemento.

Timespinner é, na verdade, um emaranhado de cópias. Sua história é a mistura de universos muito bem conhecidos atualmente, e, bem como os próximos pontos, há uma certa genialidade nessa falta de originalidade. Posso dizer que exageraram tanto nas referências a outras obras que a própria criação ficou única! E, uma frase que falarei com frequência aqui: não há mal nenhum nisso.

Além de misturar paradoxos temporais, Timespinner aborda alguns outros assuntos. Uma parte da história trata de uma guerra entre duas nações e, bem como é na realidade, nada é o que parece ser, aquilo que está registrado sempre favorece quem o registrou  e isso gera diálogos sensacionais com uma grande profundidade filosófica.

Timespinner também aborda o preconceito que é sofrido por algumas pessoas por não serem dotadas de magia, o que torna-as inferiores aos outros, fazendo com que elas tenham as piores funções e mostrando a desigualdade sofrida, sendo um outro paralelo a nossa realidade.

Além disso, há outros assuntos abordados que são muito bem vindos, mas vou me abster aqui para não tendenciar o leitor.

O universo construído é único, provando a preocupação dos desenvolvedores em manter originalidade em alguns aspectos. As diferenças entre os períodos de tempo mostram profundas alterações e consequências do passado, principalmente em tecnologia e na fauna e flora. É de fato muito interessante ler os documentos e comparar as afirmações que são feitas em alguns momentos. E por falar nos documentos, é em grande parte deles que a história é contada.

 

No geral, a história construída para Timespinner peca por não ter originalidade em alguns aspectos, mas não chega a gerar uma experiência negativa. É tudo feito de uma forma tão boa que se torna genial. Um exemplo bobo: seu amigo pede pra copiar o trabalho de escola, mas vai e faz melhor! Esse é o resumo de Timespinner. Não só em sua história, mas nos próximos aspectos também.

Jogabilidade

A maior inspiração de Timespinner é Castlevania: Symphony of the Night. Inclusive na jogabilidade.

Armas, poderes e habilidades. Parece realmente que você está controlando Alucard. Entretanto, enquanto o protagonista do clássico utiliza as mais variadas formas de armas, brancas ou de fogo, Luna utiliza, basicamente, Orbes. Cada Orbe possui um ataque diferente, uma magia de ataque e uma habilidade passiva específicas; inclusive eles evoluem e ficam mais fortes conforme o uso.

O Orbe é o ponto de partida do ataque. Há Orbes que se transformam em espadas, marretas, lâminas, lasers, ou o próprio Orbe é arremessado e todos são considerados ataques a curta distância. A longa distância é possível atacar com as magias, específicas de cada Orbe.

Luna utiliza duas armas ao mesmo tempo, e o mais interessante, é possível estar equipado com Orbes diferentes, com habilidade ativa de um e passiva de outro, alterando completamente a jogabilidade conforme o gosto do jogador.

Existem muitos inimigos, com diferentes padrões de ataque e defesa, o que varia bem as dungeons. É interessante comparar os inimigos do passado com o presente e ler alguns documentos que tratam sobre isso. Os chefões são lindos, mas pecam por obedecerem um pequeno padrão de ataque e, talvez o maior defeito do jogo, são fáceis demais.

O jogo é muito fácil por se tratar de algo bem próximo de SotN. Joguei no modo normal, não morri nenhuma vez, não passei por nenhum apuro e não precisei usar os itens deixados por monstros ou comprados. Também não tive necessidade de comprar quase nenhum item, chegando com muito dinheiro no final.

Caso você tenha uma certa habilidade em jogabilidades semelhantes, vá sem medo para o modo mais difícil na primeira vez que jogar. Talvez assim haja uma maior preocupação com itens, save points e seja necessário criar uma estratégia na hora de enfrentar os chefes.

Direção de arte

Arte gráfica

Resumidamente, Timespinner é Castlevania: Symphony of the Night pixelizado. Assim sendo, é lindo! Os cenários são muito parecidos, seja no castelo, cavernas ou fases aquáticas. As maiores diferenças estão nos personagens, inimigos e em sua proporção, sendo mais arredondados, não negando, inclusive, as origens artísticas de Stardew Valley, afinal, o jogo também é da Chucklefish.

Trilha sonora

Não tem como não comparar absolutamente tudo deste game com SotN. E talvez a trilha sonora e toda o áudio seja a parte que Timespinner menos faz bem, ao tentar parecer com o clássico. Enquanto SotN é épico em tudo que se trata de som, o indie é pobre nessa questão.

O áudio, de fato, não é tão bom. O som dos personagens, de ataques e magias, das criaturas e seus ataques, são estranhos. Talvez seja falta de costume ou uma escolha de edição para facilitar outros aspectos. Talvez fizeram dessa maneira para não ser necessário um período de crunch. Ou, para não ficar absolutamente parecido com SotN, escolheram ficar no básico e simples. Mas isso não atrapalha em nada o jogo e nem é um motivo para desistir de jogar, é somente um aspecto negativo. Assim como suas músicas.

Timespinner, na tentativa de variar da trilha sonora épica do clássico Castlevania, não apostou no ópera-rock. É uma tentativa frustrada de misturar uma base bem parecida com SotN e uma base original, fazendo com que muitas músicas tenham duas bases tocando ao mesmo tempo, e as vezes até três bases, causando uma certa estranheza.

Uma boa música possui um instrumento que dá o ritmo e harmonia para ela, e essa base muitas vezes é o que faz o som para que outros instrumentos o acompanhem. As vezes é um toquinho de piano, um violino, uma guitarra ou até mesmo uma bateria. No caso de Timespinner, muitas músicas apostam em duas bases, as vezes sendo dois pianos, um piano e uma bateria e outras variações. Isso, em um primeiro momento, causa estranheza. Depois que de se acostumar, percebe-se que as músicas são boas, nada primorosas, mas boas.

Veredito

Timespinner é a prática daquele famoso meme, “copia mas não faz igual”. E digo novamente, não há mal nenhum nisso! O tão citado aqui Castlevania: Symphony of the Night marcou gerações de gamers, e tem marcado até hoje, então fazer um jogo baseado no clássico não é um problema se for bem feito, e é nisso que Timespinner aposta. Ele passa, em muitos aspectos, as mesmas sensações do clássico, sem perder sua própria originalidade.

Seu maior ponto fraco é todo o trabalho de áudio, que é apenas ordinário. Comparado com sua inspiração, imensamente inferior. Mas qual o problema do jogo ter um 10 em todos os outros aspectos, enquanto tem 5 somente em um?

Se você gosta de metroidvanias, com certeza vai gostar de Timespinner. Mas e aí, já jogou? O que achou? Conte para gente!!