Indiespensáveis

Impensável não falar deles

Análise: Untitled Goose Game (Switch) – Quando o jogo vira meme

Bastou um trailer de anúncio, divulgado em agosto de 2018, para Untitled Goose Game ganhar muita notoriedade. O jogo é desenvolvido pela House House (Push Me Pull You), estúdio australiano formado por apenas quatro pessoas, e distribuído pela Panic (Firewatch).

Untitled Goose Game contou com um investimento do programa governamental Film Victoria, órgão que estimula a produção artística em seu país.

Mas o que fez o jogo chamar tanto a atenção? Seria pela sua qualidade mesmo com o orçamento de um indie? Ou por suas mecânicas originais e muito bem implementadas? Ou então seria pela sua direção de arte? O jogo do Ganso, como passou a ser conhecido popularmente, não se destaca por suas características específicas de gameplay, mas sim pelo conjunto da obra.

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HONK!

Essa é a primeira ação que você faz no jogo: grasnar. Assim é possível ter uma ideia do quão séria é a jogabilidade em Untitled Goose Game – o que não é um problema.

O looping de gameplay se resume em alguns desafios que precisam ser completados em cada área. Essas áreas são como as fases do jogo, é preciso terminar uma para ter acesso à próxima. Os desafios consistem em puzzles e momentos de stealth; há uma Lista de Tarefas para o jogador não se sentir perdido.

Apesar de parecem secundários, os elementos de gameplay funcionam para o que o jogo se propõe: ser engraçado. Alguns puzzles exigem um pouco mais de atenção, mas nada que leve muito tempo para ser resolvido. Também há desafios extras, alguns escondidos e outros que são desbloqueados após concluir todas as áreas.

A jogabilidade é muito simples e não há uma história sendo contada de uma forma tradicional. O grande elemento de Untitled Goose Game é o seu bom humor.

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A comédia além do jogo

“Meme é um termo grego que significa imitação. O termo é bastante conhecido e utilizado no mundo da internet, referindo-se ao fenômeno de viralização de uma informação”. Podemos dizer que o conjunto da obra de Untitled Goose Game consegue, de uma certa maneira, chegar nesse nível.

Logo de cara, o que nos desperta o interesse é o título do jogo. Quem não ficaria curioso com o “Jogo do Ganso sem nome”? Até nessa simples escolha Untitled Goose Game consegue nos fazer pensar. Faz sentido afirmar que essa escolha de título foge à regra de outros jogos, que tentam sintetizar um game a partir do seu nome. Porém, também é correto dizer que o nome explica tudo: realmente aqui temos “só” o Jogo do Ganso sem nome.

Essa abordagem chega à linguagem publicitária do jogo. Todos os trailers enfatizam as peripécias que o Ganso pode aprontar no vilarejo. Sem contar a música e toda a identidade visual criada com esse bom humor.

Até a sua descrição na página da Steam é engraçadinha: “Um Ganso horrível (esse é você); Uma cidade cheia de pessoas apenas tentando viver seu dia (você odeia elas); Um botão dedicado para grasnar!!!”.

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O protagonista perfeito

A escolha de um Ganso como personagem principal é o que, talvez, consiga unir todo esse universo. Desde seu jeito de andar até as interações com os NPCs, tudo que o Ganso faz parece ter potencial para um momento engraçado. É possível esconder coisas, usar o stealth para deixar os NPCs perdidos, fazê-los cair ou molhar suas roupas, entre outras travessuras. A inteligência artificial (ou a falta dela) também foi feita para o Ganso brilhar.

Fazer os NPCs de bobos, segurar objetos engraçados no bico ou aprontar aquela bagunça no vilarejo é muito divertido, mas Untitled Goose Game consegue deixar engraçado até as piadas repetidas. A reação dos NPCs ou os simples movimentos do Ganso não tiram um sorrisinho do seu rosto apenas uma vez. Em alguns momentos, me senti jogando um ótimo episódio do Chaves ou dos Trapalhões, onde está óbvio o que vai acontecer pela milésima vez, mas aquela situação ainda te gera gargalhadas.

Untitled Goose Game acerta em cheio ao “não se levar a sério”. O jogo consegue transmitir diversão em quase todos os momentos, oferecendo uma jogabilidade que é simples o suficiente para não te frustrar e não exigir muita atenção.

Análise produzida com cópia digital cedida pela House House.